segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Letras mal traçadas para o recolhimento da alma







Perceber sua melodiosa sinfonia e voar...
Para bem longe, cada vez mais alto mais distante, voar.
Que importa os pensamentos alheios?
Que mérito tem seus julgamentos?
Deixar que esta insana profusão de palavras declame
sem me molestar com o que vão dizer ou vão pensar...


Levitar, apenas levitar.
Imaginar-se tão leve como esta sinfonia.
Enternecer-se feito os relógios moles de Dali...
Sorver a garoa ácida da noite.
sentir o vento melancólico roçar a face.


Erguer-se cada vez mais alto.
Para além das nuvens sombrias que a frente fria traz...
Ir ter com as estrelas, com o céu infinito.
Ir para um mundo distante, lá acima bem mais,
Mais que o cosmos ou qualquer buraco negro.
Cada vez mais alto, onde não sentir o ar, faz-me oxigenar...


Encher os pulmões deixar que o bronquíolos explodam,
em agonia como um grito de Munch...
Deixar que a notoriedade dessa falta de coesão,
essa falta de nexo, faça eclosão nas cores de Monet...


Infundir os plexos soltos,
como as telas de Magritte e afundar...
Fazer ir a fundo nos sonhos da árvore de Mondrian...
sentir a alma desnuda, viajar, viajar andar por...


A disposição das telas se dá a interpretação de Céu e Inferno, Divina Comédia, Dante Alighieri.

3 comentários:

  1. Belíssimo poema! Uma lição de vôo! ...
    E a distorção do tempo, nos relógios. O Grito, espremido. A densidade e a leveza, nas árvores.
    Enfim, perfeito. Parabens!...

    Um beijo.

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