terça-feira, 6 de julho de 2010


“Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúdica e rica,
E eu sou um mar de sargaço

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.”
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Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.
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“Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu escrevo.”


"Fernando António Nogueira Pessoa."


( Pensando tudo é possível...Fazendo nada é verdade... )

3 comentários:

  1. Essa incompletude do ser... em seu estado do "não-ser" sempre em busca do ser... é o que o move, o arrasta...
    Compartilho com esse sentimento do Pessoa, que tão bem soube expressar aquilo que nem sempre conseguimos externar em sua perfeição, assim como o é quando não dito...
    O Pessoa manja demais disso, fico aqui, lendo e relendo... abobada!

    Sabe quando sentimos algo e, na tentativa de fazer-lhe viver no real, nos frustramos? A arte ajuda a melhorar isso... porém, querendo dar vida, as vezes sufocamos e matamos...
    Que loucura, que grande paradoxo...


    E que gostoso de ler a poesia...

    ;**

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  2. No infinito saber de Pessos, agora aqui, no silêncio ao senti-lo me remeto...
    Fernando em Pessoa :)
    Bjs

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