terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Nada

"Le Carnaval d´Arlequin" (O Carnaval de Arlequim) Joan Miró i Ferrá




A incógnita aqui é o nada, segundo Heidegger " O nada se revela pela angústia "
Angústia para Heidegger " Disposição afetiva pela qual se revela ao homem o nada absoluto sobre o qual se configura a existência. "


Mas e a falácia...?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Chama e fumaça

Quadro de Klimt, O beijo



Flameja a chama
Que a alma clama
Desaba voraz e desumana

Fogo do corpo acende
Transcende pressente
Delírios rubores fascínios
Num fogo-fátuo de vícios

Transforma fumaça
Dispersora gasosa
Em meios há tantos devaneios
Virou prosa.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Lembranças

House of parliament, Sunlight Effect, Monet



Hoje um dia de sol morno, fui até sua velha casa, seus móveis ainda no lugar, a velha escrivaninha a estante em vidro que guardava suas relíquias a sete chaves, senti um aperto uma saudade difícil de se explicar, no ar ainda te escuto falando da horta falando do tempo brigando sozinho e com todos, que saudade vô ... Lembra quando falava das historias ? Ah vô ! Como era bom me contava tanta coisa ... sinto seu cheiro ainda pela casa sua voz ecoa em meu coração. Sabe dizem que é bom se guardar a boa lembrança e não ver o último momento, não sei se é na verdade, queria poder estar junto de ti para agradecer em que me transformou, sua essência está em mim . Me lembrei de um tempo tão precioso. . . "Saudades, Vô... da tua essência tão pura humildade Saudades, Vô... de tua santidade tão simples Saudades, Vô... do teu abraço , forte sem medo Saudades, Vô... dos teus passos, firmes Saudades, Vô... da tua teimosia tão sábia Saudades, Vô... do teu espírito jovem Vô, o senhor era invencível ao tempo! Guerreou uma batalha contra a morte" ( Ibeane Campos Moreira )

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Jogos

O Grito, Edvard Munch


Façam suas apostas... Jogos de azar, quem não gosta ?...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Limiar

Monet



Se por postas em louvor, as mãos, por purificadas, escavam intra moradas... Vem contê-las em labor uma divisa velada, que resguarda o interior... Pois se tudo perpassamos, da leveza por que amamos ao denso da imundície... O que em sonhos vislumbramos, do vigente olhar que erramos, é, ainda, superfície...
Poeta e amigo, Joel.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Retirantes, Cândido Portinari



" Cresci sob um teto sossegado,

Meu sonho era um pequenino sonho meu.

Na ciência dos cuidados fui treinado.

Agora, entre o meu ser e o ser alheio,

A linha de fronteira se rompeu."


Wally Salomão.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Procedimento invasivo

Monet



Ah vida!! Campo verde em esperança.
Depura como uma criança
Ao longo somam-se as probabilidades
Traços típicos, personalidade
Ah!! Esta quando se forma.
Soma a alma e decora.
Seus tons podem variar
Em nuanças tão diversas
Do ocre ao mais lindo amarelo festa
Mas aí então, vem sua primeira mácula
E com ela a estranheza
A nuança fica densa...
Numa diérese implacável
Rompem-se tornam se subtensa
Ah! Lâmina que corta e fere
Fere com precisão, mas fere
Desdobra a alma num apone profundo
Com isso vem a consciência fazendo sua hemostasia
Tentando reparar essa sangria
Faz- se a exerese de alguns sentimentos
Faz- se a síntese da incisura
Cicatriza por elementos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Epílogo

Garden At Giverny, Monet



Mágica... magia... magicar
deslumbre momento aceitar.
O tempo, momento companhia,
desvaece sob a luz do dia.
Noite o breve vessar das palavras...
Desvelo de duas almas.
Âmago, essênio, epílogo.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Vazio

"Femme à l'ombrelle" Monet



...O pavor de envelhecer ?
Não.
Isso nunca tive.
Mas o pavor de não saber nada e o vazio persistir...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sonhos

Giverny, Monet




...No silêncio de uma luz solar, na imensidão de um oceano, há um trabalho a começar agora. Todos os meus sonhos são levados para fora...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

" Cartas a um jovem poeta. "

Dans La Prairie Camille, Monet



" Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente." Rainer Maria Rilke.